Conhecendo o inimigo: hipertensão arterial

A hipertensão arterial é caracterizada pela elevação sustentada da pressão arterial acima de 140/90 mmHg. É uma das doenças de maior prevalência na população em geral, atingindo no Brasil 32,5% (36 milhões) dos indivíduos adultos, contribuindo para 50% das mortes por ocorrências cardiovasculares, principalmente infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. Além disso, a hipertensão é, em nosso meio, a principal causa de doença renal crônica. As pessoas com maior propensão a desenvolver a hipertensão são aquelas que tem familiares hipertensos, os diabéticos, os que estão acima do peso, os que não têm hábitos alimentares saudáveis, os sedentários e os que ingerem muito sal e exageram no consumo de bebidas alcoólicas.

Infelizmente as taxas de controle da hipertensão não ultrapassam 35% dos pacientes portadores da doença. A maioria dos casos são assintomáticos, o que atrapalha o diagnóstico e o controle. A pressão arterial deve ser medida em todas as idades, durante as consultas médicas e principalmente na presença de fatores de risco, mesmo na ausência de sintomas, especialmente após os 40 anos. O diagnóstico inicial tem de ser confirmado; é de extrema importância o esclarecimento do paciente a respeito do caráter crônico do problema e da necessidade de controle através do uso de medicamentos, que deverão ser tomados durante toda a vida. Não há cura, mas há controle.

O tratamento permanente prolonga e melhora a qualidade de vida. Na sua fase inicial, é fundamental a adequação do estilo de vida. Manter o peso normal previne em 40% o desenvolvimento do mal. Dietas ricas em frutas, hortaliças, fibras, minerais e laticínios, com baixos teores de gordura, são as mais recomendadas. Também é preciso diminuir o consumo de sal. Pequenas doses de bebidas alcoólicas podem fazer parte do cardápio do hipertenso (cerca de duas latas de cerveja, duas doses de destilados ou duas taças pequenas de vinho), de forma não diária. A atividade física regular, com um mínimo de 150 minutos por semana, auxilia na baixa da pressão e contribui para o emagrecimento.

Apesar de todas essas medidas, a maioria dos pacientes irá necessitar de medicamentos. Após avaliação médica, recebe-se a indicação de utilização de um ou mais. O tratamento não deve ser interrompido, a não ser por orientação médica, mesmo que a pressão se normalize com os remédios. O descumprimento desse cuidado pode ocasionar graves consequências devido à elevação da pressão.

Outros fatores que atrapalham uma rotina correta de ingestão dos anti-hipertensivos são os efeitos colaterais e o custo. Alguns medicamentos são distribuídos gratuitamente pelo SUS, mas no comércio os preços podem ser elevados.

Após a adoção desses procedimentos, é necessário manter acompanhamento médico regular, preferencialmente com um cardiologista. Assim é possível levar uma vida praticamente normal e livre de complicações.