Os sintomas prematuros do Parkinson

Rigidez e falta de equilíbrio

Para funcionar com maestria, nosso cérebro depende de uma porção de mensageiros químicos. A dopamina é um deles. Entre outras funções, esse neurotransmissor está por trás da nossa capacidade de sentir prazer e participa da coordenação motora. Então imagine se as fábricas de dopamina param de funcionar. Ora, é isso o que acontece no Parkinson: os neurônios produtores da substância morrem. O processo é gradual e o cérebro vai perdendo a capacidade de orquestrar o corpo.

Ações corriqueiras como andar e pegar um objeto tornam-se complicadas. Essa desordem interna é acompanhada pela rigidez na musculatura das pernas e dos braços. E aí vem a perda de equilíbrio, que dá margem a quedas e fraturas.

Depressão e nervosismo

Os especialistas dizem que Parkinson e condições psiquiátricas, como a depressão, caminham de mãos dadas. Isso porque os desajustes nos níveis de dopamina desalinham a oferta de outros mensageiros químicos cerebrais, como a serotonina, ligada à sensação de bem-estar. Essa bagunça molecular interfere no ânimo e gera, com frequência, mudanças repentinas de humor.

Tremores

Apesar de ser a marca registrada da doença, nem sempre eles se manifestam. Os gestos involuntários são resultado da morte das células nervosas em uma área específica da massa cinzenta, a substância negra.

A tremedeira se torna mais grave e aparente quando 70% desses neurônios estão desativados. Segundo um estudo inglês, porém, alguns indivíduos começam a ter esse quadro de forma sutil uma década antes do diagnóstico. Caso perceba tremores acompanhados de falta de firmeza nas mãos, vale procurar um médico – só não entre em neura, porque muitas vezes não é algo tão sério como o Parkinson.

Constipação

Quem diria: a prisão de ventre pode ser sinal de uma pane lá na cabeça. A pesquisa da Universidade College London aponta que a dificuldade de ir ao banheiro é um dos principais sintomas da doença nos dez anos que costumam preceder sua detecção.

Algumas correntes especulam que o distúrbio tem início no tronco encefálico, uma estrutura que está entre a medula espinhal e o cérebro. A morte dos neurônios produtores de dopamina ali seria o primeiro capítulo da evolução da doença. É precisamente nesse local que brotam os nervos responsáveis por transmitir os comandos para o intestino funcionar direito.

Disfunção erétil

Anos antes de o mal estar instalado, os parksonianos podem experimentar obstáculos para conseguir ou manter a ereção.

Para complicar, a depressão que ladeia o Parkinson por vezes se intromete na história, uma vez que derruba a libido. Nas mulheres, a perda de desejo sexual, causada pela escassez de dopamina, serotonina e companhia, também pode ser um sinal precoce do distúrbio.

Incontinência urinária

As idas excessivas ao banheiro para fazer xixi também comunicam que algo não vai bem na terra dos neurônios. Os músculos que revestem as paredes internas do órgão se descontrolam – é como se tremessem lá dentro. E isso, não custa reforçar, é culpa do descompasso das mensagens nervosas que chegam à bexiga. Descompasso que rende uma vontade de tirar água do joelho a toda hora, mesmo que não haja muita urina para cair fora.

Pressão baixa

Sair da cama rápido ou ficar em pé repentinamente depois de algum tempo sentado é um pesadelo para quem tem a hipotensão ortostática, um tipo de pressão baixa que acontece quando se muda de posição. Ela leva a tontura, náusea, palpitação e, em algumas situações, até desmaios.

Que fique claro: a presença desse quadro, bem como de bexiga solta, intestino preso e até mesmo tremores, não significa que o sujeito terá Parkinson no futuro. Mas eles servem de alerta para que um especialista seja procurado, sobretudo se aparecerem em conjunto. Quando a doença, que é progressiva, acaba diagnosticada mais cedo, o tratamento é mais efetivo e ajuda a segurar seu avanço.

Novos sintomas para ficar de olho

  • Perda de olfato
  • Distúrbios do sono
  • Modificações na postura
  • Pouca expressão facial
  • Escrita tremida e letras pequenas